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| São
Bernardo amplia vagas de albergue para acolher pessoa em situação
de rua |
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foto:Bruno
Paino
Sala de aula no Centro de Convivência da Associação
Projeto Samaritano: curso oferecido pelo Promac |
O aumento foi de
56 para 71 acomodações na Associação
Projeto Samaritano, entidade parceira da Prefeitura no serviço;
ronda noturna de inverno começou
A Prefeitura de
São Bernardo iniciou a ronda noturna de inverno para abordagem
de pessoas em situação de rua e encaminhamento para
albergue do município. As vagas foram ampliadas nessa época
do ano de 56 para 71, sendo 61 para homens e dez para mulheres.
Com os dias mais frios das últimas semanas, o serviço
foi intensificado pelas ruas da cidade. Educadores sociais tentam
convencer e sensibilizar essas pessoas. As que aceitam dormir
no local ganham banho quente e alimentação. No mesmo
espaço de acolhimento noturno, gerenciado pela Associação
Projeto Samaritano e que recebe subvenção da Secretaria
de Desenvolvimento Social e Cidadania, funciona também
o Centro de Convivência, onde esse público-alvo é
atendido das 8h às 16h. A capacidade é para 100
pessoas.
Para entrar no albergue são duas as alternativas. A própria
pessoa procura o local, das 17h às 18h45, ou por meio da
ronda, que funciona diariamente até as 22h. A estada varia
de uma até 14 noites. No entanto, há casos em que
o prazo máximo é estendido. Os atendidos passam
por avaliação constante do Serviço Social
da Associação Samaritano. O espaço funciona
com sua capacidade total no inverno, de acordo com Maria da Graça
Barbieri, coordenadora do Programa de Atenção à
Pessoa em Situação de Rua, ligado à Seção
de Integração Social da Secretaria de São
Bernardo. "Durante a abordagem de rua, é fundamental
que a pessoa seja sensibilizada para sair daquela situação",
afirma.
A mesma opinião tem Célia Hernandes, assistente
social da Associação Samaritano. Os educadores fazem
uma abordagem de rua pedagógica com esse tipo de público.
"É realmente de sedução. A pessoa tem
de ser convencida que a rua não é o melhor local
para ficar. Pelo contrário, é muito cruel",
diz a profissional, que tem especialização em dependência
química.
Além do albergue, o Programa de Atenção à
Pessoa em Situação de Rua oferece o Centro de Convivência,
instalado no mesmo local e que funciona 24 horas. É um
espaço diurno de referência para a população
adulta de rua, que oferece apoio para a sua organização
pessoal (encaminhamento para a rede de atendimento e de serviços
da Prefeitura) e necessidades básicas, como higiene. Ali,
os atendidos podem lavar suas próprias roupas e tomar banho,
além de receberem três refeições (café
da manhã, almoço e lanche da tarde). As atividades
de ressocialização são variadas: desde uma
horta comunitária para consumo próprio até
aulas no curso do Promac (Programa Municipal de Alfabetização
e Cidadania). Atualmente são 20 alunos inscritos.
Diariamente, passam pelo local 90 pessoas. É o caso de
José Bastos dos Santos, 63 anos, conhecido como Bibi, que
é o responsável pela horta. "Adoro mexer com
a terra. Aqui, temos uns 1,9 mil pés de alface", enumera
o homem, que tem em sua vida um histórico de consumo de
álcool e desavenças com a família. "Graças
a Deus, aqui é a minha casa, o meu convívio",
diz Santos, que está vivendo no local há dois meses.
Um engenheiro agrônomo da Secretaria de Desenvolvimento
Social e Cidadania deu as orientações para o cultivo
e manutenção adequada da horta comunitária,
além do aspecto de geração de renda e empreendedorismo.
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Foto:
Bruno Paino
Uma das atividades no Centro de Convivência é o cultivo
da horta: os alimentos são para consumo próprio |
A
auto-estima e o auto-conhecimento dessa população
também são trabalhados no Centro de Convivência,
todas as segundas-feiras. "O objetivo é dar qualidade
de vida para essas pessoas", afirma a assistente social.
Mais do que oferecer alimentação, cama e higienização,
esse tipo de política pública social pode ser o início
para um novo futuro. "Estar aqui, sem dúvida, deu uma
reviravolta em minha vida para melhor", afirma Marcio Santos,
30 anos, ex-alcoólatra e que festeja os 14 quilos a mais
que ganhou. Santos há quatro meses trabalha em uma produção
terceirizada e está inscrito na EJA (Educação
de Jovens e Adultos) da Emeb (Escola Municipal de Educação
Básica) Padre Ângelo Ceroni, onde diariamente freqüenta
as aulas à noite. "Gostaria de fazer engenharia mecânica
um dia", diz o jovem, entusiasmado.
A Associação Projeto Samaritano, parceira da Prefeitura,
aceita doação de roupas, cobertores, produtos de higiene
e alimentos.
Perfil
- O perfil da pessoa em situação de rua sofreu uma
mudança nos últimos dez anos, de acordo com Célia.
A população é mais jovem, entre 18 e 35 anos,
homem em sua maioria, dependente de álcool ou outras drogas.
Normalmente está afastado da família e desempregado.
Muitos são tuberculosos. Há também mulheres,
porém em menor número. A maioria reúne-se em
praças e pontos centrais da cidade.
Segundo Maria da Graça, muitos deles ainda resistem para
sair das ruas. Um dos motivos é aceitar regras nos serviços
públicos de acolhimento. "Horários, limites estabelecidos
ou ainda abandonar o uso do álcool e de drogas. Porém,
a Prefeitura oferece outras alternativas para inclusão dessa
pessoa na sociedade, inclusive com cursos de capacitação
profissional", afirma a coordenadora.
Além
do albergue e do Centro de Convivência, a Prefeitura possui
a Casa de Integração Social, localizada no Riacho
Grande. O local abriga hoje 28 homens, todos ex-moradores de rua
e que passaram pelo processo de desintoxicação no
Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, entidade social parceira
da Prefeitura, ou mesmo pelo Caps (Centro de Atenção
Psicossocial), serviço municipal que atende pessoas com problemas
de saúde mental. Alguns trabalham em na horta. Outros aprenderam
a fazer pães, salgados e doces em um curso de Padaria Artesanal,
oferecido pela Secretaria, que são comercializados e funcionam
como fonte de renda para os moradores da casa.
Onde
doar
Associação
Projeto Samaritano: Rua dos Vianas, 194. Centro
Telefone:
4332-8524
Horário
de funcionamento: de segunda-feira a domingo
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