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Curso de bartender capacita 260 jovens em São Bernardo
Foto: Mamedio
De olho em um mercado em expansão, mas carente de profissionais no Grande ABC, a Prefeitura de São Bernardo e a Bacardi-Martini, formam jovens na profissão de bartender (antigo barman). A parceria, que dura seis anos, já qualificou 260 iniciantes do Turma Cidadã, programa municipal de inclusão social e capacitação profissional de rapazes, a partir de 18 anos, que foram dispensados do alistamento militar. Para brindar a 14ª turma, integrada por 17 homens, um disputado concurso de coquetelaria, com direito à degustação, jurados e prêmios, ocorreu na sede da empresa instalada há 49 anos no bairro Rudge Ramos, em São Bernardo.
“Fiquei nervoso e tenso. Muita gente olhando para mim”, afirma Adilson dos Santos Gomes, 19 anos, morador no bairro dos Fincos, em São Bernardo, sem imaginar que seria, três dias depois, o vencedor do torneio. Pelas regras do concurso, os candidatos tinham de criar dois tipos de coquetéis – short drink (trago curto) e long drink ((trago longo). A base do primeiro coquetel, que o campeão batizou com o seu nome, foi feito com Bacardi Limón (mistura de rum com sabor de limão) e Bacardi Big Apple (rum com sabor de maça verde), complementado com suco de maracujá e devidamente decorado com cereja.
Os drinques de Adilson e dos demais jovens foram julgados por duas comissões distintas – cada uma composta por cinco integrantes. Além da avaliação organoléptica (aparência, aroma e sabor), outros cinco jurados cuidaram da análise técnica – apresentação pessoal, manuseio, ingredientes e receita. “A forma de preparo do coquetel e até mesmo a simpatia do aluno são avaliadas”, afirma o enólogo italiano Enrico Berti, que durante 44 anos foi funcionário da Bacardi-Martini e hoje atua como consultor da empresa. O curso dura dez dias – com carga horária de 30 horas, sendo três horas por dia, na própria empresa fabricante de bebidas.
No entanto, os novos bartenders do Turma Cidadã passam antes, como pré-requisito, pelas oficinas profissionalizantes de garçom e crepeiro, que são ministrados na Emip (Escola Municipal de Iniciação Profissional) Nair da Silva Prata, no Jardim Beatriz, onde funciona o Núcleo de Alimentação da Prefeitura. “As noções de higiene e de postura, fundamentais para o bartender, são adquiridas logo de início”, afirma Maria Ester Dalmolin Oneda, uma das juradas do concurso e diretora do Departamento da Criança e da Juventude, órgão da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania, responsável pelos 80 cursos de qualificação oferecidos, gratuitamente, para o morador de São Bernardo, acima de 16 anos. A GCM (Guarda Civil Municipal) é quem gerencia o programa municipal.

Foto: Mamedio
Emprego - Para o bartender profissional Luis Cláudio Simões, 40 anos, instrutor do curso entre a Prefeitura e a Bacardi-Martini, é uma oportunidade para os jovens adquirirem noções básicas da profissão, reconhecida internacionalmente, e aprenderem a arte de misturar bebidas e transformar em coquetéis. “Alguns dos alunos assimilam mais facilmente e mostram vocação. Encaminhamos vários deles para o trabalho em bares e hotéis. O Grande ABC é rico em casas noturnas e carece desses profissionais”, diz Simões, que recentemente voltou de um torneio de cachaça em Londres.
Outra vantagem da profissão, segundo Simões, fica por conta do salário inicial, principalmente para aquela pessoa que tem pouco estudo. “Varia entre R$ 1 mil a R$ 1,2 mil, entre o fixo e a comissão. A jornada de trabalho é, em média, de 8 horas a 10 horas, para o bartender iniciante”, diz o instrutor.A mesma opinião tem Nilson Viana Cândido, presidente da ABB (Associação Brasileira de Bartenders), de São Paulo, que confirma a alta demanda. “Não existe um bom bartender desempregado”, diz Cândido, que traz a experiência de 35 anos nos segredos da coquetelaria. Hoje, aproximadamente, são 45 mil bartenders entre a capital e a Grande São Paulo – número que sobe para cerca de 50 mil no Brasil. “É uma profissão em franca expansão, principalmente em São Bernardo. A avenida Kennedy é um exemplo do números de bares sofisticados existentes”, ressalta. Um bartender com experiência na área, boa formação profissional e que domine mais de um idioma pode ganhar R$ 5 mil, de acordo com o presidente da ABB, instituição fundada em 1970.
Otimista, Leandro Cadengue Gonçalves, 19 anos, residente no Jardim Silvina e que integra o Turma Cidadã, pretende investir na área, depois de ter ficado em segundo lugar no concurso. “É uma oportunidade para começar a trabalhar”, diz. Empatado com Gonçalves, Anderson Souza da Silva, 19 anos, do Jardim Calux, que confessou ter “tremido na base” na hora da preparação dos drinques. “E o medo de errar tudo na hora”, diz o jovem, que pretende incluir o curso básico de bartender no primeiro currículo. Para ele, o mais difícil é entender as diferentes bebidas e a combinação dos gostos e das frutas.
O terceiro lugar coube para Diego Henrique da Fonseca. Além dos certificados de conclusão do curso, os quatro vencedores ganharam uma coqueteleira como incentivo para iniciar na profissão. E levaram para a vida como conhecimento eterno: “A missão do bartender é alegrar; não embriagar”. Lição de casa feita e refeita pelos jovens, diariamente, durante o curso profissionalizante.
Foto: Mamedio
 

 
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Riacho Grande - São Bernardo do Campo/SP - 2007