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Busca de crianças desaparecidas de
São Bernardo atende
71 casos em seis meses

Pioneiro na região, serviço auxilia polícia na localização de crianças desaparecidas por meio de acompanhamento dos familiares

A Fundação Criança da Prefeitura de São Bernardo atendeu 71 casos nos primeiros seis meses deste ano entre os 83 desaparecimentos de crianças e adolescentes registrados pela Polícia Civil na cidade. Todos os boletins de ocorrência são encaminhados à fundação, que entra em contato com os responsáveis pela criança desaparecida e auxilia na busca.
O programa Busca de Crianças e Adolescentes Desaparecidos da Fundação Criança é uma parceria com o programa Caminhos de Volta da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e funciona no Centro Integrado de Apoio e Defesa à Infância e Juventude Emílio Jaldin Calderón, no bairro Nova Petrópolis, que, além desse trabalho, conta com atendimento psicológico, jurídico e social para a garantia de direitos ameaçados ou violados de qualquer criança e adolescente da cidade e seus familiares.
Este ano, a Fundação Criança atendeu 71 dos 83 casos registrados neste semestre e a partir desse contato, faz a tabulação de todos os casos e o atendimento familiar de acordo com cada registro.
Os técnicos da Fundação Criança acompanham os casos de desaparecimento a partir do registro do boletim de ocorrência. O primeiro passo é entrar em contato com os familiares e saber se a criança ainda não retornou, pois segundo os técnicos da Fundação, muitos casos são resolvidos em menos de dois dias depois do desaparecimento.
Caso a criança não tenha retornado, os técnicos orientam a família a entrar em contato com familiares e amigos onde a criança possa estar localizada e colocam a estrutura da Fundação para ajudar na localização, com a impressão de cartazes com fotos para serem espalhadas, por exemplo, e fazem a coleta de amostra de sangue dos pais ou irmãos para que seja encaminhado ao banco de DNA da Faculdade de Medicina da USP, o que permitirá a rápida e ágil avaliação de vínculo genético das crianças ou adolescentes que forem localizados, mesmo que isso ocorra anos após o seu desaparecimento.
Mesmo que a criança tenha voltado para casa, a família é chamada para ser atendida na Fundação Criança. Os técnicos acreditam que na maioria das vezes, a criança usa a fuga para resolver algum problema de conflito familiar e a partir deste contato, oferecem a estrutura da fundação para ajudar a resolver o problema.
A família toda é encaminhada para atendimento no Centro de Atendimento à Família e a Fundação coloca à disposição espaços como os Centros de Atendimento à Criança e Juventude, em que os jovens podem se ocupar em horários contrários ao escolar com atividades culturais ou esportivas.
Os técnicos da Fundação Criança explicam que tentam identificar a razão pela qual esse jovem fugiu de casa, porque a maioria dos casos apresenta uma relação familiar conflituosa, com uma rigidez às vezes exagerada da família com essa criança, onde aparece a violência física e psicológica e que em alguns casos levam à uma situação de rua, com envolvimento com drogas e outras vulnerabilidades e, por isso, colocam à disposição toda a rede de serviços municipal para resolver a situação.
Quando as crianças não são localizadas, o trabalho de busca perdura até que a vítima seja encontrada. Dos casos atendidos pela Fundação Criança, dois seguem sem solução. Viviane Araújo Alves, sumiu em agosto de 2003 e hoje estaria com 15 anos, e Janailson Macedo da Silva desapareceu em setembro de 2006 e hoje teria 17 anos. Os dois constam da lista estadual de pessoas desaparecidas e a Fundação segue em contato com os familiares para tentar a localização.

 

 

 

 

 
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Riacho Grande - São Bernardo do Campo/SP - 2007