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Ex-catadores de São Bernardo recuperam auto-estima com inclusão no mercado de trabalho
foto:Bruno Paino

Após implementação de uma associação há mais de seis anos,algumas famílias chegam a ganhar mensalmente até R$ 2 mil

Um negócio que começou tímido, hoje é exemplo de luta e determinação em São Bernardo. Ex-catadores que viviam até 2001 no extinto Lixão do Alvarenga e pelas ruas de São Bernardo, sem perspectiva de futuro e salário fixo, agora se orgulham de fazer parte de uma associação que funciona em dois locais da cidade. Para conquistar um espaço na sociedade, eles trabalham cerca de oito horas no Centro de Ecologia e Cidadania Refazendo, no bairro Assunção, e Centro de Ecologia e Cidadania Raio de Luz, na Vila Vivaldi. A associação foi criada pela Prefeitura em 2001 para afastar os catadores das ameaças constantes de doença do Lixão do Alvarenga. A administração municipal montou toda a estrutura para coleta do lixo reciclável. A partir daí, a própria associação vem caminhando com estrutura própria, dividindo os lucros e mantendo um fundo de reserva para compra de equipamentos e para atender emergências. O lixo, depois de separado, é vendido para os centros ou empresas de reciclagem. Cada um dos centros de ecologia possuem presidentes, que são eleitos de dois em dois anos. Na Vila Vivaldi, trabalham 31 ex-catadores, e no bairro Assunção, 39. Do montante arrecadado, 10% são destinados para as despesas das casas e compra de equipamentos. O restante vai para os associados.  
Funcionamento - Nos dois centros de ecologia, os ex-catadores fazem a triagem final do lixo reciclável recolhido nos 203 ecopontos espalhados em São Bernardo entre empresas, escolas, condomínio e outros. Todo este trabalho faz parte do Programa Lixo e Cidadania da Prefeitura de São Bernardo, que visa preservar o meio- ambiente e gerar trabalho e renda para várias famílias. A coleta seletiva é um sistema de recolhimento de materiais recicláveis, tais como papéis, papelão, plásticos, vidros, metais, alumínio, latas, ferro e embalagens de PET.
Embora haja toda uma estrutura para que o lixo chegue separado na associação, na prática, isso não ocorre, de acordo com José da Guia, que trabalhou 20 anos no Lixão do Alvarenga e hoje se orgulha de fazer parte da instituição. Ele trabalha no centro da Vila Vivaldi, ao lado da mulher Simone, desde 2001. “A triagem final é feita aqui, para que possamos vender o produto todo organizado para as empresas de reciclagem. Muita coisa ainda chega misturada e nosso trabalho é organizar tudo”, diz. Segundo Da Guia, são separadas seis toneladas de lixo, diariamente, na Vila Vivaldi.
O coordenador do Centro de Ecologia da Vila Vivaldi, João Batista da Silva, diz que desempenha seu trabalho com muito orgulho e dedicação. “Hoje temos um local fixo onde desenvolvemos nossa atividade em condições dignas. Podemos contar ainda com uma quantia para fazer frente as nossas despesas e planejar nossa vida. Somos verdadeiros cidadãos”, afirma Silva, que há cinco anos trabalha no local.
Assunção - No Centro de Ecologia e Cidadania Refazendo, no bairro Assunção, trabalham 39 ex-catadores. Um deles é o coordenador Reginaldo Rufino, que também pertenceu ao Lixão do Alvarenga . Ao lado da esposa Maria Lúcia, ele tem uma renda familiar de quase R$ 2 mil. Nascido na pequena cidade de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, Reginaldo diz que iniciou uma nova vida depois que começou a fazer parte da associação há seis anos. Além dos bons rendimentos ele foi o primeiro presidente do local e participou de congressos sobre reciclagem em vários locais como Minas Gerais, Brasília e Santa Catarina. “No Lixão, a gente trabalhava de dia para comer a noite. Hoje estou construindo minha casinha, tenho até um carro e bons móveis”.
Já Neize Rodrigues diz que chega a tirar até R$ 700 por mês e não gosta nem de lembrar do Lixão do Alvarenga. “Desde os oito anos fiquei lá e a associação foi uma benção de Deus. Não tomamos sol nem chuva. Temos nossa renda garantida mensalmente”. Ela confessa que na separação sempre encontra alguns objetos. “Achar celular é corriqueiro, mas também encontramos relógios, notas de R$ 10, R$ 50. Um ex-trabalhador daqui chegou a encontrar 500 dólares e fez festa” .

foto:Bruno Paino

O programa coleta seletiva foi implementado em 18 de setembro de 2000 pela Prefeitura de São Bernardo com o objetivo de formar uma consciência ambiental sustentável. Para facilitar a entrega voluntária do lixo, a Prefeitura de São Bernardo disponibiliza 203 ecopontos em ruas, praças, escolas, em todos os bairros da cidade. A entrega voluntária implica, por parte do cidadão, a capacidade de armazenar e conservar os resíduos separados em sua casa, até poder deslocar-se ao ecoponto para depósito do lixo reciclável.
Nesses ecopontos são recolhidos diariamente cerca de quatro toneladas de resíduos recicláveis. Estima-se que outras oito toneladas sejam retiradas dos ecopontos, todos os dias, pelos catadores de rua não engajados ao programa Lixo e Cidadania do município.Os catadores das associações foram capacitados através de parcerias entre a Prefeitura, a Politécnica da USP, o Sebrae e voluntários da sociedade civil. O programa de Reciclagem de Lixo da Prefeitura de São Bernardo envolve as secretárias de Serviços Urbanos, Habitação e Meio Ambiente e Desenvolvimento Social e Cidadania-Sedesc.

 
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Riacho Grande - São Bernardo do Campo/SP - 2007