Desde março de 2009, o Conjunto
SBC Q, localizado no município de São Bernardo do
Campo, está recebendo as famílias retiradas dos municípios
de Itapecerica da Serra, Santo André e São Bernardo.
Cento e setenta apartamentos já estão ocupados.
Os conjuntos habitacionais localizados em Mauá - Mauá
F1 e Mauá F2 já abrigam, respectivamente, 160 e 80
famílias. Cada apartamento tem 45 m² de área
e o empreendimento total ocupa 12.377,43 m² de construções.
Atendimento às famílias
A Dersa presta atendimento a todos os moradores
removidos das áreas por onde passa o Rodoanel Mário
Covas (Embu, Itapecerica da Serra, São Paulo, São
Bernardo do Campo, Santo André, Ribeirão Pires e Mauá),
através de programas e acompanhamento de assistentes sociais,
desde o início da remoção das famílias
até a adaptação na unidade habitacional.
Quando os moradores foram avisados sobre a remoção,
tiveram a opção de escolher entre indenização
em dinheiro através de laudo técnico de suas benfeitorias
ou unidade habitacional.
Como a maioria da população local não possuía
a documentação do terreno, o valor da indenização
pagaria apenas o valor da benfeitoria de imóveis muitas vezes
precários. Grande parte dos moradores optou pelo apartamento
do Conjunto Habitacional da Companhia de Desenvolvimento Habitacional
e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). Enquanto as famílias
aguardavam a construção, a Dersa destinou valor de
R$ 450,00 mensais para o aluguel de uma casa e ainda R$ 300,00 de
ajuda para a mudança, até o recebimento da unidade
definitiva.
A Dersa também custeará as escrituras dos imóveis.
Sonho Realizado
O terreno do empreendimento SBC Q possui 10.321,63
m² de área total, destes, 8.979,75 m² de área
construída. São 170 apartamentos com 44,89 m²,
divididos em sala de visita, dois quartos, um banheiro, uma cozinha
e uma área de serviços.
Para muitos moradores, receber as chaves e a documentação
da posse foi a realização de um sonho.
Jandira Aparecida Bernardo Bárbara, 36 anos, que viveu no
bairro do Jardim Represa, em São Bernardo, durante 30 anos,
relata que as primeiras impressões foram de descrença
e surpresa, pois não acreditava que a obra do Rodoanel passaria
pela região onde ela morava e que tampouco receberia alguma
indenização. Quando foi avisada pela assistência
social que a área seria desapropriada, ficou inconformada.
“Era uma raiz, eu não queria sair dali, meus filhos
já adolescentes também não queriam sair. A
gente se apegou no que tinha ali”, conta. Após a visita
ao SBC Q, Jandira foi convencida pelo marido a optar pelo apartamento
e resolveu economizar dinheiro para mobiliar e decorar a futura
moradia. Enquanto aguardava pela chamada da CDHU, escolheu uma casa
mais simples para alugar por R$ 230,00, guardando parte dos R$450,00
subsidiados pela Dersa. Com as economias que conseguiu juntar, Jandira
mobiliou e pintou a própria casa com móveis novos
e cores vivas, dando um ar moderno ao apartamento. Emocionada, comenta:
“Foi a Dersa que montou minha casa, mas também eu usei
a cabeça ao economizar o aluguel sem fazer dívidas”. |
Agora, apesar de a família ter
que cumprir mais obrigações, como pagar contas de
água, luz e condomínio, diferente de como era antes
da mudança, Jandira afirma “Eu amo lá, gosto
de tudo, mas aqui é a minha moradia. Para mim e para minha
família o Rodoanel foi uma bênção”.
Camile Cardoso dos Santos Correia, 33 anos, desempregada, o marido,
Luis Correia e seus três filhos moravam no município
de Santo André, num bairro onde as condições
de saneamento básico, esgoto e acesso a equipamentos sociais
como postos de saúde e hospitais eram muito precárias.
A família passava por dificuldades devido ao ambiente insalubre,
que deixava a ela e aos filhos sempre doentes. A antiga residência,
construída por Luis, tinha apenas dois cômodos. Quando
chovia, pela inexistência da rede de esgoto, a água
suja subia por um cano e inundava toda a casa. As paredes ficavam
sempre muito úmidas e o piso molhado.
Eles já planejavam vender a casa, quando foram avisados que
deveriam se mudar do local devido às obras do Rodoanel. “Para
a gente foi um presente de Deus, porque era muito difícil”,
lembra Camile. Primeira moradora a chegar no SBC Q, ela e sua família
vivem num apartamento no térreo, projetado para atender pessoas
com deficiência física. “Principalmente pela
questão do endereço fixo, pelo ambiente e pela saúde,
a vida da gente melhorou e muito”, afirma a moradora.
Removida do município de Itapecerica da Serra, a diarista
Duvalina Neres Flores, 43 anos, também confirma a melhoria
da qualidade de vida desde que se mudou para o SBC Q. Seu filho
menor não sofre mais de problemas alérgicos, as crianças
têm fácil acesso à escola, tem mercado, creche
e posto de saúde bem próximo. Duvalina não
sofre mais com o esgoto a céu aberto, falta de pavimentação
nas ruas e eletricidade irregular, desde o dia 17 de março,
quando se mudou para o novo apartamento. “Nem posso dizer
como está minha vida agora. Além de me sentir bem
mais útil por pagar regularmente as contas de água
e luz, tenho a garantia de uma moradia própria, um bem a
ser deixado para meus dois filhos”, relata emocionada. |