Os animais que vivem na área poderão atravessar
de um lado para outro da pista sem correr riscos. Os acessos que
estão prontos ficam nos lotes 1, região de Mauá,
no lote 4, em São Paulo e lote 5, em Embu.
Uma das passagens, a do lote 4, já registra o movimento
de animais. Os técnicos do Museu de Zoologia da Universidade
de São Paulo que atuam no projeto perceberam marcas de
travessia de um veado e um esquilo, nos dois lados do acesso.
No total, serão 14 passagens fluviais de fauna, com altura
e largura de 2 metros e meio que facilitarão a circulação
de pequenos animais como répteis e anfíbios, e duas
plataformas nas paredes com 80 centímetros, para que os
animais como gambás possam fazer a travessia por cima da
água.
Além de evitar que os animais se isolem de outros grupos,
as passagens evitam a perda do espaço físico.
Um Projeto Pioneiro
O projeto de acessos de fauna surgiu a partir do Estudo de Impacto
de Meio Ambiente (EIA-RIMA) quando veterinários da Dersa
e técnicos do Museu de Zoologia da Universidade de São
Paulo, ao realizar mapeamento da fauna da região, perceberam
a necessidade de estabelecer pontos onde os animais pudessem continuar
tendo livre acesso às áreas em que viviam antes
da passagem do rodoanel, mantendo assim o mais próximo
possível as condições do habitat natural.
Foram apresentados 8 pontos de acessos à Secretaria do
Meio Ambiente, que ao aprovar o projeto , solicitou que fossem
feitas mais 4 passagens ao longo dos lotes. E no decorrer da execução
do início da obra foram feitas mais 2.
Além dessas passagens, estão previstos 8 pontilhões,
trechos por onde os veículos passarão por cima da
área preservada, evitando impactos no meio ambiente.
Esse tipo de pontilhão foi bastante usado em quase toda
a extensão da rodovia dos Imigrantes, para preservar a
área de Mata Atlântica abaixo dela.
Cuidado com os bichos
Desde o início das obras do trecho sul, em maio de 2007,
foram resgatados 400 animais e 129 deles receberam atendimento
veterinário no centro de triagem que cada lote possui.
Os animais que apresentam alguma dificuldade são direcionados
para parques ecológicos.
Diariamente a equipe do veterinário Plínio Aiub
monitora os lotes do Rodoanel, evitando que animais possam chegar
próximo à área de obras. Nesta época
do ano, os cuidados são intensificados, pois é quando
surgem mais filhotes.
Para assegurar o sucesso do projeto, a equipe veterinária
da Dersa promove também treinamentos para os operários
de frente de obras, os quais apreendem como lidar com animais
que encontram pelo caminho, como capturá-los e entregá-los
aos agentes ambientais.
“Antes de ligarem a primeira máquina, nós
já estamos lá capturando os animais, encaminhando
para o atendimento veterinário, quando necessário,
e redirecionando-os para outras localidades onde possam ficar
seguros. E um grande fator para o sucesso de resgate dos animais
é a capacitação de operários que antes
matariam uma cobra e hoje sabem a melhor forma de prendê-la
até a chegada dos veterinários.”, afirma Plínio
Aiub.