A
Academia Nacional de Medicina é uma instituição
médica centenária, fundada no Brasil em 1829 pelo
Dr. Souza Meireles sob o nome de Sociedade de Medicina. Posteriormente
foi chamada Academia Imperial de Medicina. Recentemente foi presidida
pelo dr. Neves Manta. Há 100 membros titulares que ingressam
na instituição mediante apresentação
de teses científicas. Numa de suas dependências, um
pequeno Museu mostra, por exemplo, o primeiro estetoscópio
chegado ao Brasil.
Até o século XIX floresciam curandeiros, alguns charlatães,
feiticeiros. O primeiro médico prático do Rio de Janeiro
foi Aleixo Manuel, o velho, em meados do século XVII. Os
caboclos empregavam a vaga medicina dos pagés e os negros,
seus amuletos e ervas. Em certas ruas, barbeiros apregoavam drogas,
faziam sangrias. Não havia Faculdade de Medicina e os cariocas
que desejavam curar seus semelhantes eram obrigados a ir estudar
em Coimbra. A medicina do tempo do Primeiro Reinado, embora D. João
VI tivesse trazido alguns bons médicos para o Rio de Janeiro,
era do ´tipo caseiro´: rodelinhas de limão nas
frontes para enxaquecas, suadouros de sabugueiro e quina, para as
febres: cataplasmas contra as asmas: antipirina para as dores de
cabeça; banhos de malva para as dores nas cadeiras; um ´cordial´
contra a insônia e, para os loucos, o Hospicio, na Praia Vermelha.
O Rio de Janeiro foi sempre no tempo colonial um verdadeiro ´campo
experimental´ para remédios, tal sua quantidade. Além
de serem imitados os de Portugal, havia especialidades indígenas
ou africanas. Na Farmacopéia de Vigier, de 1766, são
anotados: para a sífilis, carne de víbora em pó;
para a tuberculose pulmonar ou ´chaga de bofe´, açúcar
rosado com leite de jumenta ou cabra; para a verminose, raspas de
chifre de veado; para a calvície, pomada de gordura humana
retirada dos enforcados; nas anginas, pescoço de galo torrado
e pulverizado; para panarícios, pasta de minhocas; havia
chás feitos com excrementos de gatos e cães, percevejos,
urina, carne e pele de sapos e lagartixas. Uma emulsão conhecida
como ´da castidade´ era dada a padres e freiras como
antiafrodisíaco: levava água de alface, rosas e sementes
de papoulas.
O ensino oficial da Medicina começaria em 5 de novembro de
1808 quando, por decreto de D. João VI, foi criada a Escola
Anatômico-Cirúrgica e Médica na cidade de Salvador,
na Bahia, hoje faculdade de medicina da UFBA e posteriormente foi
precursora da Faculdade Nacional de Medicina. Essa faculdade, na
rua de Santa Luzia, de 1832 a 1919 se chamou Faculdade de Medicina
do Rio de Janeiro. Seu primeiro diretor foi o Dr. Guimarães
Peixoto. Em 1919, foi transferida para a Praia Vermelha.
A 13 de junho de 1954 o diretor do Instituto Brasileiro de História
da Medicina plantou no Jardim Botânico do Rio uma muda vinda
da árvore de Hipócrates, multimilenar, que ainda existe
na ilha de Cós, na Grécia.
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