Ryu Mizuno Considerado
o pai da imigração japonesa, foi também autor
do diário de bordo do Kasato-Maru |
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Aventureiros que pouco ou nada sabiam
sobre o País. Esse era o perfil básico dos primeiros
orientais que se arriscaram a fazer a longa travessia marítima
entre o Japão e o Brasil até o fim do século
19. Uma história que só começou a mudar com
o empresário e ex-político Ryu Mizuno, em 1906.
Para quem chegou a ser preso por fazer oposição ao
governo japonês, a imigração era uma chance
de recomeçar. Em 1904, um relatório do embaixador
japonês no Brasil, sobre a situação cafeeira,
despertou em Mizuno a vontade de conhecer novas terras. Vontade
que se transformaria em aventura no ano seguinte, quando partiu
rumo à América do Sul.
Em São Paulo, o empresário conheceu as principais
lavouras do Estado e acabou sendo apresentado ao então governador
paulista, Jorge Tibiriçá, e ao secretário da
Agricultura Carlos Botelho. Estava selado o futuro da imigração.
Já no ano seguinte, Mizuno voltou ao Brasil para assinar
o acordo que previa trazer 3 mil japoneses para São Paulo
no intervalo de três anos. A primeira tentativa de levar um
navio para terras tupiniquins, no entanto, por pouco não
terminou no Porto de Kobe. Sem dinheiro para pagar as taxas alfandegárias,
ele precisou pedir empréstimo aos japoneses embarcados no
navio que partiria para o Brasil, o Kasato-Maru.
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Uma viagem que tinha tudo para dar
errado acabou por transformar Mizuno no Pai da Imigração
Japonesa. Os 52 dias da viagem foram registrados em seu diário,
retratando a esperança que cada um dos passageiros levava.
Mizuno esteve 11 vezes no Brasil, mas foi em sua oitava passagem,
em 1926, que ele recebeu do governo do Paraná 2.767 hectares
de terras para instalar uma colônia. A Alvorada foi pioneira,
segundo Tereza Hatue Rezende, autora do único livro em português
sobre ele (Ryu Mizuno. Saga Japonesa em Terras Brasileiras). "Me
admira que, aos 72 anos, ele tenha conseguido aplicar suas idéias
socialistas. Os sitiantes vendiam os produtos e, depois, dividiam
o lucro."
Após criar a colônia, Mizuno voltou ao Japão.
Não pretendia ficar muito tempo, mas a 2.ª Guerra reteve
o empresário em terras japonesas. Ele só conseguiu
regressar ao Brasil - onde queria passar os últimos anos
de vida - em 1950, já muito fraco. Morreu em São Paulo,
no ano seguinte, aos 91, rodeado de parentes. E foi enterrado num
túmulo discreto no Cemitério São Paulo, Zona
Oeste. O reconhecimento que já tinha no Brasil chegou ao
Japão. Em 1962, Mizuno virou estátua em sua cidade
natal, Sagawa. |
| Fonte:Estadão |
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