A Prefeitura de São Bernardo,
por meio da Secretaria de Planejamento e Tecnologia da Informação,
reativou o convênio técnico com a Associação
de Intercâmbio Brasil-Japão, entidade que possui sede
em Tóquio e filial em São Paulo. Dos oito intercambistas
que aportaram no país recentemente, a universitária
Yoko Ono, 21 anos, batizada com o mesmo nome da viúva do
músico John Lennon, dos Beatles, estagia na Secretaria de
Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedesc). Ali, diariamente vivencia
a diversidade dos programas de inclusão social, geração
de renda, profissionalização e educação
complementar para crianças e adolescentes, além de
políticas públicas voltadas aos idosos, pessoas com
deficiência ou em situação de rua, oferecidos
à comunidade.
A parceria existe desde 1991. No entanto, a Prefeitura
não recebeu nenhum estagiário nos dois últimos
anos, porque a entidade paralisou o programa para reestruturação.
Até hoje, cerca de 25 intercambistas japoneses, entre 21
e 26 anos, estagiaram em vários órgãos da administração
municipal. Entre os locais de trabalho estão Secretaria de
Esportes; Secretaria de Habitação e Meio Ambiente;
Secretaria de Planejamento e Tecnologia de Informação,
e Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania. O período
de permanência no Brasil é de 11 meses – de abril
e a março do ano seguinte. Já a carga horária
de trabalho é 25 horas semanais.
Com um português praticamente perfeito e
de causar inveja a qualquer brasileiro, Yoko Ono cursa línguas
no Japão. O interesse pelo país fica por conta das
áreas social e cultural. Contudo, também foi pega
pelo estômago quando aportou pela primeira vez no Brasil a
passeio, em 2006. "Adoro feijoada e churrasco", afirma
a comunicativa universitária, que está conhecendo
vários programas sociais da Sedesc, principalmente os espalhados
nos núcleos comunitários da periferia de São
Bernardo.
"A Yoko Ono está bem envolvida nos
programas, inclusive já subiu e desceu muitos morros para
chegar às comunidades. Aliás, ela tem forte preocupação
com a questão de assistência social. Por isso, conhecer
programas que estão mudando a vida de várias famílias
é algo que a empolga", afirma Maria Ester Dalmolin Oneda,
diretora do Departamento de Inclusão Social e Produtiva,
da Sedesc. No próximo sábado,
dia 17, por exemplo, já garantiu o lugar para participar
de uma atividade voluntária que ocorrerá em associação
da região pós-balsa, ou seja, depois do Riacho Grande.
Entre os serviços gratuitos oferecidos estão cortes
de cabelo e oficinas para crianças e adolescentes.
Hospedagem – Pelo convênio, a Prefeitura
oferece ao estagiário japonês uma ajuda de custo para
a sua subsistência, hospedagem e alimentação.
Os intercambistas ficam hospedados na Associação Harmonia
de Educação e Cultura, mantenedora do Colégio
Harmonia, na Vila Mussolini, em São Bernardo. A entidade,
fundada em 1954, recebe estudantes do Japão por meio de programas
de intercâmbios cultural e esportivo no Brasil. As passagens
de ida e de volta ficam por conta dos estagiários.
"O estágio é feito na Prefeitura
de acordo com o perfil universitário do jovem", afirma
Mario Takata, assessor da Secretaria de Planejamento e Tecnologia
de Informação. O aprendizado pela língua portuguesa;
conhecimento da cultura e interesse pela área social, com
ênfase na questão habitacional e de urbanização
estão entre os motivos da escolha pelo Brasil. Favelas, por
exemplo, não existem no Japão, realidade encontrada
no país pelos estudantes orientais.
Segundo Takata, a Associação é
quem faz a triagem dos intercambistas no Brasil. Muitos deles acabam
retornando ao país para trabalhar em empresas de origem japonesa.
Além de Yoko Ono em São Bernardo, os outros sete estagiários
japoneses que aterrissaram no país foram distribuídos:
um na Bahia, um no Rio Grande do Sul e cinco em São Paulo.
O reencontro para a troca de experiências será realizado
ainda neste primeiro semestre e outro no segundo. A Prefeitura também
mantém o convênio para o intercâmbio de brasileiros
no Japão.
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