A
partir da fibra de refrigerante, fio é utilizado na criação
manual de objetos decorativos; artesãos se reúnem
no Espaço Arte Cidadã da Prefeitura
Tapetes, almofadas, mantas de sofás, colchas e cortinas podem
surgir a partir da fibra da garrafa plástica de refrigerante
reciclada. Um grupo de 12 artesãos do Espaço Arte
Cidadã, ponto de venda de artesanato popular mantido pela
Prefeitura de São Bernardo, está se aprimorando na
produção do fio de PET (Polietileno Tereflalato) para
a confecção dos objetos de decoração.
Além de uma atividade ecologicamente correta, o fio puro
apresenta outras vantagens: qualidade, alta resistência, textura
agradável ao toque e originalidade na criação
das peças. Trabalho é inédito no Grande ABC
em termo de prefeituras.
A produção dos objetos decorativos ainda é
pequena. Os artesãos estão calibrando as mãos
desde março deste ano, durante encontros que ocorrem todas
as terças-feiras, das 8h às 12h, no Ateliê de
Artes, instalado na Emip (Escola Municipal de Iniciação
Profissional) Jornalista Onofre Leite, na Vila Mussolini, onde também
funciona o Espaço Arte Cidadã. Entre outubro e novembro
do ano passado, os tecelões foram capacitados na Oficina
de Fiação, oferecida pela Secretaria de Desenvolvimento
Social e Cidadania. Várias técnicas de fiação
foram ensinadas, de acordo com Cristina Gil, tecelã e instrutora
de teares manuais de pregos e pente liço.
Agora, os artesãos investem na especialização
do aprendizado. A produção do fio de PET passa por
um processo interessante. Primeiramente, é necessário
comprar as fibras de poliéster. A fabricante nacional Unnafibras
Têxtil, de Santo André, produz a fibra de PET reciclado,
utilizada pelo grupo de tecelões de São Bernardo no
ateliê. Em seguida, o material passa por um processo de fiação,
que é a arte de torcer as fibras em roca manual ou elétrica
e transformá-las em fio contínuo. A partir disso,
o artesão está preparado para colocar o fio, originário
da garrafa plástica reciclada, no tear manual e abusar da
criatividade com a elaboração de mantas, tapetes e
almofadas. Detalhe: as cores originais das garrafas são preservadas
- verde e transparente. "O fio da PET é diferenciado
e ainda não vendido no comércio, o que dá um
valor especial ao produto. Porém, outros fios também
podem ser misturados na trama, como barbante, seda e lã",
explica Cristina.
Em uma primeira etapa, o alvo dos artesãos é produzir
peças decorativas e não para vestuário. Isso
em razão de o fio de PET não estar sendo misturado
com o algodão natural, matéria-prima para a confecção
de roupas, por exemplo, camisetas. "Não acho aconselhável
o uso do fio puro da garrafa plástica com o corpo. É
fundamental que seja misturado com a fibra de algodão",
reforça Cristina Gil, que como engenheira agrônoma
defende o uso dos recursos próprios da natureza.
Além de trazer benefícios para o meio ambiente, a
reciclagem gera emprego e renda. As garrafas plásticas de
PET adquiridas pelas empresas se transformam em fonte de renda para
os catadores de embalagens recicláveis. Outra vantagem, de
acordo com a tecelã, o fio não é caro para
consumo dos artesãos. O quilo da fibra custa em média
R$ 30, o que deve baratear o preço final dos objetos para
o consumidor.
"Estou adorando a novidade. A gente passa o dia, distrai e
ainda ganha um dinheirinho", afirma Sumie Nishida, 73 anos,
que não se incomoda de tomar ônibus do bairro Demarchi
à Vila Mussolini, em São Bernardo, para manusear o
fio da PET na roca manual. "Meus filhos não acreditaram
quando viram o fio", conta, entusiasmada.
A mesma disposição tem Neris Nascimento Pereira, 72
anos, do bairro Baeta Neves, que trabalhou enquanto solteira em
uma indústria de tecelagem, onde hoje está instalada
a sede da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania. "Naquele
tempo nem se falava em fio reciclado de garrafa plástica.
A tecnologia avançou e hoje contribui, inclusive, para a
preservação do meio ambiente", afirma, com consciência,
a artesã. Uma das peças produzidas por Neris foi um
tapete em que mesclou o fio da PET com o barbante, que resultou
em um trabalho interessante e que se encontra à venda no
Espaço Arte Cidadã.
O ex-metalúrgico Augusto Ruiz, 58 anos, único homem
da turma, também participou da Oficina de Fiação
no ano passado. "Para mim foi novidade a recuperação
desse material plástico para fins no artesanato. A própria
reciclagem gera renda e o trabalho vira comunitário",
diz Ruiz. |
Arte
Cidadã - Inaugurado
em agosto de 2006, o Espaço Arte Cidadã reúne
45 artesãos da cidade cadastrados na Sutaco (Superintendência
do Trabalho Artesanal nas Comunidades). A maioria deles passou pelos
cursos de qualificação profissional, empreendedorismo
e geração de emprego e renda da Secretaria de Desenvolvimento
Social e Cidadania. O consumidor encontrará preços
baixos e opções variadas de técnicas e trabalhos
manuais, como bordado, pintura em tecido, crochê, tricô,
mosaico, velas decorativas, arte em corda, bijuteria, decupagem,
fuxico, patchwork e biscuit, entre outros.
Inscrições
- Devido à alta procura, a Prefeitura de São Bernardo
abrirá novas inscrições dias 1º e 4 de
junho, das 9h às 11h30, e das 14h às 16h30, no próprio
Espaço Arte Cidadã, para os interessados em expor
os seus trabalhos no local. É necessário que a pessoa
seja moradora em São Bernardo. Os documentos exigidos são:
comprovante de residência, RG (Registro Profissional) e ser
cadastrado na Sutaco - o artesão, porém, pode providenciar
a inscrição posteriormente. Outra exigência
é levar uma peça pronta para análise do trabalho
e da técnica empregada. O local está localizado na
rua Aura, 71, e abre de segunda a sexta-feira, das 9h às
18h, e aos sábados, das 9h às 14h.
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