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São Bernardo inscreve oficina de tear com PET em prêmio de reciclagem
foto: Bruno Paino

A oficina de tear com o fio da garrafa PET (Tereflalato de Polietileno), comandada pelos artesãos do Espaço Arte Cidadã de São Bernardo, participará da 6ª edição do Prêmio EcoPET, promovido anualmente pela Abipet (Associação Brasileira da Indústria do PET) e que valoriza as boas idéias e iniciativas em prol da reciclagem de materiais. A Prefeitura de São Bernardo inscreveu o projeto na categoria E, que premia trabalhos artesanais que usam as embalagens plásticas como base.
Em 2002, a Prefeitura levou o prêmio na categoria C, com o Programa Lixo & Cida-dania, desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania de São Bernardo e que erradicou o trabalho de crianças e adolescentes no lixão do Alvarenga, fechado pela administração municipal em julho de 2001. O local funcionava como depósito irregular de lixo. As famílias receberam auxílio, educação e passaram a trabalhar, de forma digna e segura, na coleta de materiais recicláveis dentro de associações.
Desde março deste ano, grupo de 15 artesãos do Espaço Arte Cidadã, ponto de venda de artesanato popular mantido pela Prefeitura de São Bernardo, se aprimora na produção do fio de PET para confecção de tapetes, almofadas, mantas de sofás, colchas e cortinas. Além de uma atividade ecologicamente correta, o fio puro apresenta outras vantagens: qualidade, alta resistência, textura agradável ao toque e originalidade na criação das peças. Entre outubro e novembro de 2006, os tecelões foram capacitados, gratuitamente, na Oficina de Fiação, oferecida pela secretaria municipal.
Agora, os artesãos investem na especialização do aprendizado. A produção do fio de PET passa por um processo interessante. Primeiramente, é necessário comprar as fibras de poliéster. Em seguida, o material passa por um processo de fiação, que é a arte de torcer as fibras em roca manual ou elétrica e transformá-las em fio contínuo. A partir disso, o artesão está preparado para colocar o fio, originário da garrafa plástica reciclada, no tear manual e abusar da criatividade na elaboração de artesanato. Detalhe: as cores originais das garrafas são preservadas, como a verde do guaraná. "O fio da PET é diferenciado e ainda não vendido no comércio, o que dá um valor especial ao produto. Porém, outros fios também podem ser misturados na trama, como barbante, seda e lã", explica a engenheira agrônoma e tecelã Cristina Gil, que coordena a oficina e instrutora de teares manuais de pregos e pente liço.
Em uma primeira etapa, o alvo dos artesãos está sendo a produção de peças decorativas e não para vestuário. Isso em razão de o fio de PET não estar sendo misturado com o algodão natural, matéria-prima para a confecção de roupas, como camisetas. Além de trazer benefícios para o meio ambiente, a reciclagem gera emprego e renda. As garrafas plásticas adquiridas pelas empresas se transformam em fonte de renda para os catadores de embalagens recicláveis. O fio não é caro para o custo final dos tecelões.
De acordo com Maria Ester Dalmolin Oneda, diretora do Departamento da Criança e da Juventude, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania, há cerca de três anos, a Prefeitura introduziu diferentes tipos de teares nos cursos de qualificação como alternativas de geração de renda para a população. Duas rocas manuais, onde as fibras da PET são transformadas em fio, foram adquiridas. “É um resgate histórico do trabalho artesanal do tear. Agora, com o viés ambiental e de reciclagem que a Prefeitura tem investido”, afirma Maria Ester.

Regulamento - O vencedor de cada categoria, do total de cinco e que será conhecido em novembro, receberá o Troféu EcoPET, idealizado pela artista plástica Rita Maia, além de pré-mio em dinheiro. As outras quatro categorias participantes são: Educação Ambiental; Pesquisas e Processos Inovadores; Coleta e Separação e Ação da Empresa. Qualquer pessoa, sem limite de faixa etária, pode participar do prêmio.
De acordo com levantamento da Abipet, o Brasil é um dos maiores recicladores de PET do mundo, com índice de 48% e um total reciclado de 173 mil toneladas de embalagens plásticas pós-consumo.

foto: Bruno Paino

 
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Riacho Grande - São Bernardo do Campo/SP - 2007