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SAIBA MAIS SOBRE A GRIPE
Dores pelo corpo e de cabeça, garganta inflamada,
tosse, febre, coriza... Será gripe? Ou será um
resfriado? Embora apresentem sintomas extremamente
parecidos, essas são duas doenças diferentes.
O resfriado é uma infecção branda e costuma ser
causado por vírus pertencentes à família
Rhinovírus, que conta com mais de 100 tipos. Já
a gripe – também conhecida como influenza – pode
afetar seriamente o organismo graças à ação dos
vírus conhecidos como influenza A (FLU A),
influenza B (FLU B) e influenza C
(FLU C).
Embora as duas doenças possam levar a complicações
como, por exemplo, inflamações no ouvido, bronquites
e pneumonia, a gripe gera maior preocupação entre
pesquisadores e profissionais de saúde devido ao
alto poder de transmissão e mutação de seus agentes
infecciosos. Isto é, os vírus causadores da gripe
conseguem assumir novas formas e se espalhar
rapidamente entre as pessoas resultando em epidemias
da doença.
A transmissão da gripe entre humanos se dá por meio
de gotas de saliva e outras secreções das vias
aéreas. Embora seja mais comum a transmissão de
pessoa a pessoa, também é possível adoecer a partir
do contato com objetos contaminados, como, por
exemplo, talheres, lenços e teclados de computador,
já que os vírus da gripe se mantém viáveis – com
plena capacidade para entrar em um organismo e aí se
reproduzir – no ambiente por cerca de uma hora.
Os vírus influenza são vírus "envelopados". Isso
quer dizer que, além da membrana celular que envolve
e protege seu material genético, esses vírus têm uma
camada de material extra, um envelope feito de
gordura. Na superfície desse envelope encontram-se
duas proteínas: a hemaglutinina e a neuraminidase.
Cada uma dessas proteínas apresenta várias
configurações diferentes e suas múltiplas
combinações dão origem aos subtipos ou variantes
virais.
Dos três vírus causadores da gripe, o FLU A é aquele
com o maior número de combinações dos diversos
sorotipos – as configurações – de hemaglutinina e
neuraminidase. Por causa de sua grande capacidade de
mudar de forma, isto é, sofrer mutações, o FLU A
está associado às epidemias de gripe mais
devastadoras da história, as chamadas pandemias.
Quando você lê nos jornais, por exemplo, sobre uma
infecção causada pelo vírus H5N1 (gripe do frango),
está lendo sobre uma variante do FLU A que tem em
sua superfície o sorotipo cinco da proteína
hemaglutinina e o sorotipo um da neuraminidase. Os
cientistas conhecem, ao todo, 16 sorotipos de
hemaglutinina e nove de neuraminidase.
Prevenindo-se
A vacinação é a principal forma de prevenção contra
a gripe. Mas é muito difícil produzir um imunizante
contra um vírus com grande capacidade de mutação.
Você pode pensar na vacina como uma pequena
armadilha: ao mudar de forma, o vírus consegue
escapar ao seu encaixe e não é mais capturado.
Então uma pessoa pode ficar doente mesmo tendo se
vacinado? No caso da gripe, pode. Ainda assim a
vacinação é importante pois, além de proteger contra
os tipos e variantes mais comuns, confere imunidade
relativa em relação a algumas das novas formas
assumidas pelos vírus.
São dois os meios pelos quais os vírus mudam de
forma. O chamado rearranjo gênico (antigenic
shift, em inglês) acontece somente com o FLU A:
por esse processo, material genético de uma variante
animal e de uma humana se misturam, habilitando a
variante, até então só capaz de infectar animais,
para afetar também seres humanos. Já o desvio gênico
(antigenic drift, em inglês) acontece nos
três tipos de vírus causadores da gripe: um erro
durante a multiplicação do vírus dentro das células
resulta na alteração de algum de seus aminoácidos –
cadeias de moléculas que formam as proteínas. Embora
seja possível, não é comum que as alterações
provocadas por meio do desvio gênico levem o vírus a
cruzar a barreira entre as espécies. Ao contrário
das alterações provocadas pelo rearranjo gênico, as
alterações surgidas a partir do desvio gênico
costumam ser pequenas.
Imunidade relativa é justamente a resistência que o
organismo desenvolve aos vírus que mudaram de forma
por meio do desvio gênico. Ou seja, mesmo não
ficando totalmente presos na armadilha, os vírus
mutantes têm seus movimentos limitados pela vacina.
O resultado? Quando surge, a infecção é sempre mais
leve do que seria caso a vacina não tivesse sido
tomada.
Buscando aumentar a eficácia das vacinas contra
gripe, os pesquisadores também as atualizam todos os
anos. Hoje em dia, as vacinas incluem as variantes
H1N1 e H3N2 do FLU A e o FLU B – atuais vírus em
circulação no mundo.
No Brasil, anualmente é organizada uma campanha
nacional de vacinação contra gripe voltada
especialmente para maiores de 60 anos. Sabe por que
os idosos são o público alvo dessas campanhas?
Porque são eles os que têm mais facilidade para
desenvolver complicações associadas à gripe: o
sistema de defesa do organismo perde sua vitalidade
conforme envelhecemos, ficando mais fraco para
combater as infecções.
Pessoas com doenças crônicas do coração, do pulmão,
dos rins e portadores de HIV/Aids também devem tomar
a vacina, pois apresentam o sistema imunológico
fragilizado e uma gripe pode piorar seu estado de
saúde. Crianças de até dois anos também, já que as
defesas do organismo ainda não estão completamente
formadas nessa idade.
Em períodos de epidemia, alguns cuidados simples
como evitar aglomerações e isolar os doentes também
ajudam a prevenir o contágio e a conter o surto de
gripe. |