O
Araçari, projeto da Prefeitura de São Bernardo que
visa a preservação ambiental com a reciclagem de papel
e a geração de renda para jovens, será um dos
destaques do en-contro corporativo da CLM, empresa de medicina do
trabalho e saúde ocupacional com sede no bairro Santo Amaro,
em São Paulo, dia 10 de setembro, à tarde, no auditório
do Convento Santíssima Trindade. Blocos, porta-retrato, caixas
para brindes, embalagens de presentes, porta-caneta, cartão
de visita, flores e luminária, materiais que são frutos
da reciclagem, estarão expostos para venda aos funcionários
e colaboradores. Bijuterias feitas com saquinhos de pão e
jornal e utilitários e objetos de decoração
criados a partir das folhas de revista, trabalhos realizados por
artesãos da administração municipal, também
farão parte da mostra.
Durante o encontro, batizado pela empresa como
Happy Day e realizado a cada dois meses, será lançada
a segunda fase da Campanha de Qualidade da CLM, que traz como tema
Envolvimento com o Meio Ambiente – Coleta Seletiva. A idéia
é introduzir junto aos funcionários o conceito de
conscientização ambiental, de acordo com Cristiane
Antunes, diretora de Rela-ções Empresariais da CLM.
A partir do lançamento, toda a empresa estará envolvida
com a coleta de papel. O material recolhido será encaminhado
para catadores credenciados pela empresa, também como forma
de promoção de inclusão social.
A CLM se espelhou na experiência de sucesso da Prefeitura
de São Bernardo. Todo material (como papel sulfite e aparas)
utilizado no Araçari é proveniente de todos os setores
da administração municipal, além de empresas
e condomínios comerciais e residenciais da cidade parceiros.
Dois centros de ecologia e cidadania municipais são responsáveis
pelo armaze-namento do papel, que totaliza cerca de 20.460 toneladas
por mês – parte é utilizado pelos jovens do Araçari,
de acordo com a assistente social Dalva Pinheiro de Almeida Pagni,
da equipe de coordenação do projeto.
Desde 1998, a Prefeitura, por meio da Secretaria
de Desenvolvimento Social e Cida-dania, mantém o projeto
de reciclagem de papel voltado aos jovens moradores da cidade, a
partir de 16 anos. O Araçari é dividido em três
fases distintas. A primeira trabalha a formação do
aluno, com noções de ética e cidadania. A profissionalização
é a etapa seguinte, na qual a pessoa aprende a reciclar o
papel (tingimento, textura e tonalidade) e transformá-lo
em pro-dutos artesanais, como blocos e porta-retrato.
Além dos cursos profissionalizantes, existe o grupo
produtivo do Projeto Araçari, inte-grado por 11 pessoas,
entre 18 e 24 anos, que visa às ações empreendedoras,
desde a produção dos itens para venda até a
contribuição com o meio ambiente. "O objetivo
é a geração de renda e fazer com que o jovem
busque sua autonomia", afirma Aparecida de Souza Sobral, que
coordena os projetos de inclusão produtiva da secretaria
municipal.
Desde que foi implementado até o momento, o Projeto
Araçari atraiu cerca de 180 jovens. Porém, nem todos
investiram no grupo produtivo. A ação já dá
retorno aos novos empreendedores: vários produtos estão
sendo exportados para Suécia e Alemanha. O Araçari
se baseia na política dos quatro Rs (Reeduque, Reduza, Reutilize
e Recicle), que faz parte do Programa Lixo & Cidadania, também
assinado pela Prefeitura.
E foi por um desses cursos de qualificação
que passou a artesã de bijuteria de papel Ariane Justino
da Silva, 22 anos, para se tornar instrutora da Prefeitura. "Ensino
jovens e adul-tos a fazerem bijuterias com material reciclado. Além
do que, ressalto a importância da reciclagem para o meio ambiente",
afirma a artesã, que dá formas diferenciadas para
colares, pulseiras, brincos, anéis, braceletes, broches e
presilhas.
Os trabalhos confeccionados a partir da folha
de revista, de autoria de Maria José Mariano Rossi, 45 anos,
artesã do Espaço Arte Cidadã, ponto de exposição
e venda de artesanato popular e reciclado da Prefeitura, também
estarão à mostra.
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